Aluno interpela a Fedeli sobre sua doutrina


E agora, Fedeli? (II)

SEX, 06 DE FEVEREIRO DE 2009 14:58 ALESSANDRO LIMA E LUIS GUILHERME FERNANDES PEREIRA

http://www.veritatis.com.br/apologetica/149-vaticano-ii/1042-e-agora-fedeli-ii

“Para um futuro reconhecimento da Fraternidade São Pio X é condição indispensável o pleno reconhecimento do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e do próprio Bento XVI”. (Nota da Secretaria de Estado da Santa Sé em 04 de Fevereiro de 2009).

Desde que nosso apostolado assumiu a defesa do Concílio Vaticano II, somos tratados pelos rótulos de neoconservadores, modernistas, semi-modernistas, sem contar as caricaturas que sofremos só pelo simples fato de sermos realmente fiéis aos ensinamentos do Santo Padre, o Papa Bento XVI gloriosamente reinante, sem dar piruetas para entender suas palavras como mensagens subliminares tradicionalistas. Em resumo, sofremos os mais variados ataques injuriosos e jocosos, só porque dizemos claramente que o Papa Bento XVI aceita e reconhece o Concílio Vaticano II e quer que a FSSPX igualmente o reconheça.

Porém, Orlando Fedeli não pensa da mesma forma. Dá piruetas, leva mais em consideração as afirmações de veículos assumidamente modernistas, como o francês Golias, e as declarações polêmicas de modernistas notórios como o suíço Hans Küng, do que as próprias palavras do Supremo Pastor da Igreja Católica, que o senhor de largas sobrancelhas relativiza, torce, e tira delas o que quer. Fedeli ainda faz ouvidos mocos às explicações que as Congregações Romanas dão para clarificar o texto do Concílio Vaticano II, como se não fosse o Magistério da Igreja o legítimo e autêntico intérprete da Tradição e dos textos magisteriais. Para o Doutor em História e para as pessoas que cegamente o seguem, devemos lembrar as palavras que na época o então Card. Ratzinger (hoje Papa Bento XVI) dirigiu a Mons. Marcel Lefebvre em uma carta de 30 de julho de 1983:

Mas o sr. não pode afirmar a incompatibilidade dos textos conciliares – que são textos magisteriais – com o Magistério e a Tradição. É-lhe possível dizer que, pessoalmente, o sr. não vê essa compatibilidade, e portanto pedir explicações à Sé Apostólica. Mas se, ao contrário, o sr. afirma a impossibilidade de tais explicações, o sr. se opõe profundamente à estrutura fundamental da fé católica e a obediência e humildade da fé eclesiástica que o sr. diz possuir no fim da sua carta, quando o sr. evoca a fé que lhe foi ensinada na sua infância e na Cidade Eterna.

Sobre esse ponto, vale enfim uma observação já feita precedentemente a propósito da liturgia: os autores privados, mesmo se eles foram peritos no concílio (como o Pe. Congar e o Pe. Murray, que o sr. cita), não são autoridade encarregada da interpretaçãoSó é autêntica e autoritativa a interpretação dada pelo Magistério, que é assim o intérprete de seus próprios atos : pois os textos conciliares não são os escritos de tal ou tal perito ou de quem quer que seja que tenha podido contribuir para sua origem, eles são documentos do Magistério (grifos nossos).

O presidente da Associação Cultural Montfort abusa do wishful thinking, falácia que consiste em tirar de um argumento o que ele quer que seja verdadeiro, e não o que o argumento diz. Por exemplo, afirma que o fato da FSSPX ter aceito o decreto do Santo Padre que as beneficiava implica, obviamente, que o decreto age ex tunc e não ex nunc (1); quando os princípios do direito canônicos e os próprios termos utilizados no Decreto do dia 21 de Janeiro desmentem sua fantasia. Nada é mais protestante do que tomar a própria fantasia como sendo a realidade, ainda mais quando a esta salta aos olhos de forma tão clara e cristalina.

Aliás, a Santa Sé, que já havia desmentido (2) as fantasias montfortianas a respeito da retirada (e não anulação) das excomunhões dos quatro Bispos Lefebvristas, vem agora através de uma nota de sua Secretaria de Estado, deixar bem claro que sem o PLENO reconhecimento Concílio Vaticano II, será impossível à FSSPX ser reconhecida pela Igreja:

2. Tradição, doutrina e Concílio Vaticano II

Para um futuro reconhecimento da Fraternidade São Pio X é condição indispensável o pleno reconhecimento do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e do próprio Bento XVI.

Tal como já foi afirmado no Decreto de 21 de Janeiro de 2009, a Santa Sé não deixará, no modo julgado oportuno, de aprofundar com os interessados as questões ainda abertas, para que possamos alcançaruma plena e satisfatória solução dos problemas que deram origem a esta dolorosa fratura (Nota da Secretaria de Estado da Santa Sé em 04 de Fevereiro de 2009, grifos nossos).

Para quem sabe ler e sabe o significado das palavras, o pleno reconhecimento do Vaticano II significa não só o reconhecimento naquilo que ele é, um legítimo Concílio Ecumênico da Igreja Católica Apostólica Romana, como TAMBÉM o assentimento que todo fiel deve aos seus ensinamentos, que não é um assentimento de fé divina e católica, mas de fé eclesiástica; exatamente por tratar-se de Magistério autêntico. Nenhum fiel pode livremente escolher o que deve crer ou deixar de crer naquilo que ensina a Santa Igreja.

A verdadeira Igreja está com Pedro e sob Pedro, e Pedro está com o Concílio Vaticano II. Não um super-concílio, nem um mar de heresias, porém um concílio pastoral e sob a presidência Espírito Santo apesar dos homens. Estamos de acordo com um combate aos modernistas e aos sedevacantistas, no anelo sincero pela reconciliação da FSSPX e de todos os tradicionalistas, na defesa da Tradição contra os ataques que ela sofre, na defesa de Bento XVI contra seus detratores. Mas não podemos nos unir contra um Concílio Ecumênico e legítimo, querido pelo Papa gloriosamente reinante que trabalha para dar-lhe uma hermenêutica ortodoxa e em total consonância com o Magistério precedente.

Infelizmente a grande maioria dos entusiastas do Prof. Fedeli trata a questão atual não com a sobriedade e o respeito que a gravidade do momento exige, mas com a molecagem típica dos mofadores, como se ser católico se resumisse em “estar ao lado do Veritatis” ou “estar ao lado da Montfort”. Assumir uma posição notoriamente errada, falsamente católica e na direção diametralmente contrária àquela indicada pelo Supremo Pastor da Igreja, o Papa, só porque não se gosta do Alessandro Lima, ou do Rafael Vitola ou do Taiguara, ou seja lá de quem for, é agir como um insensato. Ninguém precisa gostar de nós ou do VS para ser católico, aliás, existem muitos bons católicos que sequer sabem de nossa existência. Mas para ser católico é preciso obedecer ao Papa e acolher tudo o que a Igreja nos ensina através de seu Magistério e manda através de sua disciplina.

Se os fatos mostram que SEMPRE estivemos certos, só colhemos aquilo que plantamos, ou como disseram os salmistas: “Felizes, entretanto, todos os que nele [em Deus] confiam” (Sl 2,11), ou “Regozijam-se, pelo contrário, os que em vós [Senhor] confiam, permanecem para sempre na alegria. Protegei-os e triunfarão em vós os que amam vosso nome” (Sl 5,12). Com efeito, acertamos não porque sejamos profetas ou tenhamos bolas-de-cristal, mas porque SEMPRE se acerta quando se é REALMENTE fiel à Santa Igreja de Deus.

O Papa, na defesa do Concílio Vaticano II, é cada vez mais explícito em seus atos e palavras. E Fedeli, como o chiste de Groucho Marx, continua a repetir para seus alunos: “Em quem você vai acreditar? Em mim ou nos seus próprios olhos?”. O que os olhos nos mostram é diferente do que o Prof. Orlando ensina. E agora, Fedeli?

Notas

(1)           http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=comentando_decreto&lang=bra

(2)           http://www.acidigital.com/noticia.php?id=15157

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=15161

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