Fedeli cismático


E AGORA, FEDELI?

BRODBECK, Rafael Vitola

Disponível em http://www.veritatis.com.br/apologetica/149-vaticano-ii/1037-e-agora-fedeli

 
 
 

Orlando Fedeli fez fama na internet por sua postura ácida, pouco caridosa, como que a resumir todo o Evangelho na passagem em que Nosso Senhor, movido pela ira santa, expulsa os vendilhões do Templo. Ao lado disso, um tradicionalismo intransigente, nada afeito ao diálogo, e, ousamos dizer, com doses cavalares de distorção.

Bem diferente, é bom frisar, de outros tradicionalistas com quem tomamos contato – como a FSSPX, por exemplo –, ou dos sedevacantistas. Deles também discordamos, mas o diálogo é respeitoso e não se vê má-fé em seus discursos. A FSSPX, por exemplo, mesmo antes da retirada das excomunhões, nunca negou que Bento XVI apóia o Concílio Vaticano II e o novo rito da Missa. Também agem assim os sedevacantistas – e é esse um dos motivos de negarem legitimidade ao Papa reinante.

Fedeli não é assim. Desde a eleição de Bento XVI, apostou em uma tese: este é o Papa contrário ao Vaticano II, que irá revogá-lo, combatê-lo, rasgar o novo Missal…

“Estranhamente”, o Romano Pontífice, embora tenha um especial carinho pelo rito antigo da Missa e o tenha autorizado universalmente, sem necessidade de audiência aos Bispos locais, não só continua autorizando o rito moderno, como celebra, diariamente, com o novo Missal, e, mais ainda, fez alguns ajustes nele agora em sua reimpressão da terceira edição típica latina. Fedeli, quando do Motu Próprio, insistia, porém, que o Papa estava acabando com a “Missa Nova”… Vimos, pois, não ser verdade.

O Papa, enfim, fez inúmeros, dezenas, quiçá centenas, de discursos, em que exaltava o Concílio. Mesmo que tenha dito, também, que era preciso interpretá-lo adequadamente, condenando, aliás, o tal “espírito do Concílio” – coisa que Paulo VI e João Paulo II também fizeram, saliente-se –, nunca se posicionou contra esse sínodo. Aliás, citou várias vezes seus textos e o elogiou efusivamente. Chegou a proclamar, quase que solenemente, que o Concílio Ecumênico Vaticano II é a diretriz de seu pontificado.

Quando atacou os que, em nome do Concílio, rompem com a Tradição, condenou também os que, em nome da Tradição, rompem com o Concílio. Os dois devem estar atrelados: é o que Bento XVI chamou de “hermenêutica da continuidade”. Isso, porém, Fedeli não leu, e, se leu, não entendeu, ou, se entendeu, distorceu… Não me surpreende.

Agora, por ocasião do levantamento das excomunhões dos quatro Bispos sagrados por D. Marcel Lefebvre, Orlando Fedeli apronta mais uma de suas molecagens. Disse, em dois artigos – Glória a Dom Lefebvre e a Dom Mayer e Justiça e coragem de Bento XVI –, que, com tal gesto, o Papa estaria, implicitamente, reconhecendo os erros do Concílio, autorizando que se possa atacá-lo, e que quem estava com a razão era D. Lefebvre. Nada mais tosco e mentiroso! Que estripulia o senhor fez, Professor Fedeli! Onde se lia “x”, o senhor leu o alfabeto inteiro.

Pois bem, um dos erros de Fedeli já demonstramos neste artigo do Alessandro Lima. Bento XVI não “desexcomungou” Lefebvre: apenas os quatro Bispos. Outros erros são refutados aqui .

Trato agora de refutar o novo erro do professor. Mais um… Sim, está ficando feio. Apostou no Papa anti-Vaticano II e errou. Melhor seria Fedeli dizer: “pois é, pessoal da Montfort, achei que Bento XVI iria acabar com o rito novo e o Concílio, mas me enganei; esse Papa é modernista”. Enquanto todos os demais tradicionalistas sempre viram em Bento XVI um defensor do Vaticano II e do rito novo, e, por isso mesmo, é que mantinham suas reservas ao Papa – um erro, claro, mas um erro, ao menos, honesto –, Orlando Fedeli convocou o Pontífice para suas hostes: fez das palavras do Papa e de seus atos um testemunho contra o Concílio. Mesmo que, pasmem, o Papa não só nunca tenha pronunciado uma condenação ao Vaticano II, como, ao contrário, o tenha elogiado e exaltado! Um erro honesto é o de se colocar contra o Papa porque ele defende o Concílio. O que dizer, porém, da atitude de ser contra o Concílio também, mas querer, a todo custo, que o Papa também seja?

Que a Montfort queira atacar o Concílio e a “Missa Nova”, isso se compreende. O que não podemos tolerar é que coloque o Papa no meio disso tudo, como que a corroborar as teses fedelistas. Faça Orlando Fedeli seus ataques em seu próprio nome, não no do Papa. Não coloque palavras na boca do Romano Pontífice! Não queira trazer Bento XVI para o seu “time”.

O fato é que Fedeli fez uma profecia: Bento XVI é anti-Vaticano II e anti-Missa nova. Deu com os burros n’água! Em vez de voltar atrás, permaneceu no erro e fez mais acrobacias teológicas para justificar o injustificável. Claro, Fedeli nunca erra. Briga com todos, desde sua época na TFP. Nenhum grupo presta. Nem a TFP da qual fez parte. Nem D. Mayer, com quem rompeu depois de ter feito toda a fofoca contra a TFP, logrando que o Bispo não mais apoiasse a entidade. Nem Campos quando no cisma, nem Campos quando depois dos acordos. Nem a FSSPX, que ele sempre atacou, mas que agora tenta acolher, posando de bonzinho.

Mais honroso é dizer, professor, com todas as letras: o Papa é pró-Concílio. É assim que fizeram a FSSPX e os sedevacantistas. É assim que faz D. Lourenço Fleischman, OSB.

Neste ponto, sugerimos a leitura do seguinte artigo, do Marcos Grillo, antes de continuar a leitura deste nosso: AFINAL, BENTO XVI É FAVORÁVEL OU CONTRÁRIO AO CONCÍLIO VATICANO II?

Pois bem, dizíamos que iríamos refutar Fedeli. Não vamos mais. Deixamos essa tarefa para a Igreja, mediante o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Deliciem-se e, após a leitura, não deixem de fazer a mesma pergunta que vai no título deste despretensioso texto.

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=15157

L’Osservatore Romano: Gesto de misericórdia do Papa deve alentar acatamento do Vaticano II

ROMA, 25 Jan. 09 / 05:35 pm (ACI).- O editorial deste domingo de L’Osservatore Romano, titulado “O Vaticano II e o gesto de paz do Papa”, destaca que a decisão de Bento XVI de levantar a excomunhão aos 4 bispos ordenados por Dom Marcel Lefebvre é um “gesto de misericórdia” que deve alentar aos membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X a acatar o Concílio Vaticano II que “após meio século de seu anúncio está vivo na Igreja”.

No texto se lembra que “faz meio século, em 25 de janeiro de 1959, o anúncio do Vaticano II por parte de João XXIII foi uma grande surpresa, que ultrapassou os limites visíveis da Igreja Católica. Já no dia seguinte o Arcebispo de Milão –que em 1963 se converteria em Paulo VI– definiu o futuro Concilio como um ‘acontecimento histórico de enorme grandeza’, quer dizer ‘grande hoje, amanhã, grande para os povos e para os corações humanos, grande para toda a Igreja e para toda a humanidade'”.

Paulo VI, prossegue a nota editorial, seguindo os passos de João XXIII “viu rapidamente e com claridade, as perspectivas históricas e religiosas do Vaticano II: a mais vasta assembléia celebrada na história foi intuída e aberta por um Papa de 78 anos, um século depois da interrupção do Vaticano I (querido por Pio IX quase na mesma idade), levando com valor a sua realização uma idéia já ventilada sob o Pontificado de Pio XI e Pio XII”.

Seguidamente a nota, assinada pelo diretor do jornal do Vaticano, Giovanni Maria Vian, explica que a aplicação do Concílio Vaticano II não foi fácil “pela incidência das decisões conciliar na vida da Igreja, na liturgia, na missão, nas relações com as outras confissões cristãs, com o judaísmo, com as outras religiões, com a afirmação da liberdade religiosa, na atitude para o mundo”.

“O último Papa, Bento XVI, ao ter participado plenamente e com paixão –como um teólogo novíssimo– no concílio, delineou em 2005 a interpretação católica do Vaticano II: um acontecimento que é lido não na lógica de uma discontinuidade que, absolutizando-o, isolaria-o da tradição; senão na da reforma, que o abre ao futuro. Um concílio que, como todos os outros, deve inserir-se na história e não ser mitificado, inseparável de seus textos, que propriamente do ponto de vista histórico não podem ser contrapostos a um suposto ‘espírito’ do Vaticano II”.

O editorial, cuja data coincide além com a Festa da Conversão de São Paulo, resenha logo que “os bons frutos do Concílio são inumeráveis e entre estes aparece agora o gesto de misericórdia relacionado aos bispos excomungados em 1988”.

“Um gesto –continua– que João XXIII e seus sucessores teriam gostado muito, em um oferecimento limpo que Bento XVI, Papa de paz, quis fazer público ao coincidir o aniversário do anúncio do Vaticano II, com a intenção clara de ver logo sanada uma fratura dolorosa. Intenção que não será ofuscada por inaceitáveis opiniões negacionistas e atitudes para o judaísmo de alguns membros da comunidade aos que o Bispo de Roma tende a mão”.

Finalmente, a nota precisa que “após meio século do anúncio, o Vaticano II está vivo na Igreja. Assim também o Concílio fica em mãos de todo fiel para que mais forte e claro seja o testemunho no mundo de quantos acreditam em Cristo”.

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=15161

O Pe. Lombardi comenta em Rádio Vaticano a suspensão das excomunhões

VATICANO, 25 Jan. 09 / 10:34 pm (ACI).- O Pe. Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, comentou este sábado, através de Rádio Vaticano, a decisão do Papa Bento XVI de levantar a excomunhão que pesava sobre os quatro bispos ordenados sem consentimento da Sé Apostólica por Dom Marcel Lefebvre.

“A Semana de oração para  a unidade dos cristãos  se conclui com uma  formosa notícia, que auguramos seja fonte de gozo em toda a Igreja. O levantamento da excomunhão dos quatro bispos da Fraternidade sacerdotal São Pio X é em efeito um passo fundamental para alcançar a reconciliação definitiva com o movimento iniciado e guiado por Dom Marcel Lefebvre”.

“Para compreender o significado deste passo -explicou o Pe. Lombardi-,  voltam imediatamente para a mente as palavras do Papa Bento XVI em sua carta de introdução ao Motu Próprio Summorum Pontificum de 7 de julho de 2007, quando escrevia que ao olhar no passado as divisões que no curso dos séculos rasgaram o Corpo de Cristo faz pensar que com freqüência as omissões da Igreja provocaram a consolidação das divisões. Assim, escrevia o Papa: ‘temos a obrigação de fazer todos os esforços para que todos aqueles que verdadeiramente têm o desejo da unidade, seja-lhes possível permanecer nesta unidade ou voltar a encontrá-la… Abramos generosamente nosso coração …’”, citou o Porta-voz da Santa Sé.

“O Cardeal Ratzinger -prosseguiu-  foi protagonista das relações com Dom Lefebvre em  1988 e já após tinha tratado de fazer tudo quanto foi possível para servir à união da Igreja. Então não foi suficiente e as consagrações episcopais de 30 de junho daquele ano, realizadas sem mandato pontifício, criaram uma situação de grave ruptura”.

“Mas a Comissão Ecclesia Dei, constituída por João Paulo II naquela circunstância, trabalhou com paciência para manter abertas as vias do diálogo e distintas comunidades unidas de diversos modo ao movimento Lefebvrista puderam já, no curso dos anos, voltar a recuperar a plena comunhão com a Igreja católica”, adicionou.

Entretanto, “a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, com quatro bispos, seguia sendo, em todo caso, a comunidade mais importante com a qual restabelecer a comunhão. Bento XVI manifestou que de maneira indubitável seu compromisso por fazer tudo o possível para alcançar este objetivo. Lembremos naturalmente acima de tudo o Motu Proprio Summorum Pontificum sobre o rito para a celebração da Missa,  mas podemos também lembrar o documento da Congregação da Doutrina da Fé que esclarecia alguns pontos discutidos da doutrina eclesiológica do Concílio Vaticano II, assim como algumas grandes intervenções  sobre a correta hermenêutica  do mesmo Concílio, em continuidade com a tradição”.

“Tudo isto –prosseguiu o Pe. Lombardi- criou naturalmente um clima favorável, no que os bispos da Fraternidade São Pio X pediram o levantamento da excomunhão testemunhando explicitamente sua vontade de estar na Igreja católica romana e de acreditar firmemente no primado do Pedro”.

Por eles, “é formoso que o levantamento da excomunhão tenha lugar no iminente 50º aniversário do anúncio do Concílio Vaticano II, de maneira que este evento fundamental não possa agora ser jamais considerado como um motivo de tensão; mas sim de comunhão”.

“O texto do decreto põe em evidência que, de por si, está-se ainda em caminho para a plena comunhão, da que o Santo Padre deseja a solícita realização. Por exemplo, aspectos como o estatuto da Fraternidade e dos sacerdotes que pertencem a ela não são definidos no decreto publicado hoje”, adicionou.

“Mas a oração da Igreja está toda ela unida a do Papa, para que se supere logo toda dificuldade e se possa falar de comunhão em sentido pleno e sem incerteza alguma”, concluiu.

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ORLANDO FEDELI DISTORCE MAIS UM FATO: A RETIRADA DAS EXCOMUNHÕES DOS BISPOS DA FSSPX

Por Alessandro Lima

LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: ORLANDO FEDELI DISTORCE MAIS UM FATO: A RETIRADA DAS EXCOMUNHÕES DOS BISPOS DA FSSPX. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5589. Desde 1/26/2009.

Devido ao grande acontecimento recente na história da Igreja que foi a retirada das excomunhões sobre os quatro bispos da FSSPX, muita desconfiança, tristeza e alvoroço se deu entre os fiéis católicos.

Dentre as reações que mais nos chamam a atenção estão aquelas do tipo fantasiosas, como a que o Prof. Orlando Fedeli registrou em seus dois artigos recentes. O primeiro intitulado “Glória a Dom Lefebvre e a Dom Mayer, heróis da fé” (1) e o segundo “Justiça e coragem de Bento XVI” (2).

A leitura que Fedeli fez dos fatos é tão distorcida, é tão fantasiosa que não há como deixar de classificá-la como um embuste, uma mentira grosseira para continuar a enganar as almas:

Acaba de ser declarada “sem efeitos jurídicos, a partir de hoje, o Decreto publicado naquela época” – isto é, juridicamente nula — pelo Papa Bento XVI a excomunhão injustamente lançada em 1988 contra Dom Lefebvre e Dom Mayer, e dos quatro Bispos da Fraterndade Sacerdotal São Pio X por eles sagrados, a fim de que fosse perpetuado o sacerdócio católico, celebrando a Missa de sempre.
Essa excomunhão foi declarada “sem efeitos jurídicos” — como nula e não acontecida, porque ela teria sido aplicada por um suposto ato cismático desses dois Bispos, transmitindo o episcopado a quatro sacerdotes sem permissão do Papa João Paulo II (1).
O Papa Bento XVI acaba de fazer um ato de justiça insígne e de coragem intrépida e decidida ao anular as excomunhões de Dom Lefebvre e de Dom Mayer, assim como a dos Bispos que eles, em santa hora, sagraram (2).

Que saibamos, Fedeli sabe ler e não é nenhum ignorante. O decreto não trata de D. Lefebvre e nem D. Mayer, mas somente  da situação canônica dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, relativa a sua sagração episcopal:

[…]
Sua Santidade Bento XVI – paternamente sensível ao desconforto espiritual manifestado por pelos interessados por causa da sanção de excomunhão, e confiando no compromisso expresso por eles na citada carta de não poupar esforço algum para aprofundar as questões ainda abertas em necessárias conversações com as Autoridades da Santa Sé, e poder assim chegar rapidamente a uma plena e satisfatória solução do problema existente em princípio, decidiu reconsiderar a situação canônica dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, relativa a sua sagração episcopal.
[…]

Conforme as faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre, Bento XVI, em virtude do presente Decreto, revogo dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfons de Galarreta a censura de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação em 1 de julho de 1988 e declaro privado de efeitos jurídicos a partir do dia de hoje o Decreto então publicado.
Roma, Sagrada Congregação para os Bispos, 21 de janeiro de 2009.
Cardeal Giovanni Batista Re
Prefeito da Sagrada Congregação para os Bispos (3, grifos meus).

Se o quadro fosse como Fedeli o pinta, o Decreto deveria tratar da invalidade da pena e não de sua retirada. Neste caso o nome de D. Lefebvre seria citado, pois “A morte do réu anula todas as penas” (Teologia Moral, Del Grego 702,2) (4). Depois, diz o atual Decreto que o antigo está “privado de seus efeitos jurídicos a partir da dada de hoje”. Ora, se foi decretado sem efeitos jurídicos “A PARTIR DE HOJE”, então não se trata de declaração de nulidade. Se fosse nula, teria suspensão dos efeitos jurídicos DESDE A DATA DA PRÓPRIA EXCOMUNHÃO. Se o antigo Decreto perde efeitos agora, OBVIAMENTE é porque antes tinha. E se antes tinha, então era válido. E se era válido, não pode ser nulo!

Cai por terra o princípio pelo qual o Prof. Fedeli desenvolve toda sua rede de mentiras. D. Mayer e D. Lefebvre SEQUER são citados no referido decreto. SEQUER o referido decreto diz que o Decreto anterior foi inválido.

Considerando que Fedeli sabe ler e que não é ignorante, só podemos classificar tamanha distorção como: MÁ FÉ. A má-fé dele é escandalosa. A Igreja neste momento tão importante de sua história não precisa de tamanho desserviço. Ainda na esteira de Fedeli:

Ao mesmo tempo que os declara inocentes, implicitamente o ato de justiça de Bento XVI proclama que eles tiveram razão em se opor aos erros do Vaticano II e da Missa Nova. Bento XVI, implicitamente declara que não só foi lícito lutar contra as novidades modernistas sancionadas pelo Vaticano II e contra os erros graves da Nova Missa, mas que fazer isso foi ato de virtude heróica por parte de Dom Lefebvre e de Dom Mayer (1, grifos meus).
[…] A justiça para com Dom Lefebvre e Dom Mayer está feita, graças a Deus!
[…] Ora, esses Bispos injusta e vaziamente excomungados em 1988, desde que perceberam os erros ocultos nas dobras ambíguas da letra do Concílio Vaticano II, e desde que a Missa nova foi aprovada, e sem a abrogação da Missa de sempre, corajosamente sempre se opuseram aos erros modernistas do Vaticano II e da Missa Nova (2).

Como se vê, o Presidente da Associação Cultural Montfort é obstinado em sua própria mentira. Ninguém declarou D. Lefebvre ou D. Mayer inocentes. Isso só está nos olhos de quem o vê, e não no Decreto (3) da Igreja. Embora seja possível ter a opinião pessoal de que eles não tiveram culpa, nada há neste sentido por parte da Santa Sé. Neste momento tão importante, precisamos de sobriedade e não de argumentos fantasiosos, embuídos de mentira. Isso é má-fé dele.

A tática nefasta de Orlando Fedeli (instrumento que católicos não usam, mas somente os filhos do Pai da Mentira) é falsificar o que diz e representa o Decreto de retirada das excomunhões dos quatro Bispos da Fraternidade. Forjando o que não existe, ele pretende daí tirar a falsa conclusão de que tudo isso seria prova dos supostos erros e desvios do Vaticano II e da Missa Nova. É claro que Fedeli quer também aproximar-se da FSSPX. Mas, os Bispos e fiéis da Fraternidade não são bobos, conhecem muito bem os devaneios e dissimulações de Fedeli e não cairão nessa grosseira armadilha barata.

É importante deixar claro que não estamos contestando a culpa ou não de D. Lefebvre e D. Mayer ao sagrar os quatro bispos da Fraternidade sem mandato pontifício. Fiéis, ao Magistério e ao seu Legislador, apenas acolhemos o que a Igreja manda e decreta. Se amanhã, o Papa decretar que a pena sobre eles foi inválida (coisa que se torna ainda mais difícil depois do recente decreto), acolheremos com amor a decisão do Papa. Se alguma injustiça foi feita, nos alegraremos com tal reparo obviamente.

Falsificar decretos e decisões das Congregações Romanas ou do próprio Papa, para justificar posições pessoais que desafinam com o governo do Pontífice Romano, não é de forma alguma lhe prestar vassalagem e lhe submeter filialmente.

Já está mais que claro que Fedeli não quer a verdade, quer é estar certo.

Notas
(1) FEDELI, Orlando. Montfort: Glória a Dom Lefebvre e a Dom Mayer. Disponível em http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=gloria_lefebvre_mayer&lang=bra. Último acesso em 26/01/2009.
(2) FEDELI, Orlando. Montfort: Justiça e coragem de Bento XVI. Disponível em http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=papa&artigo=coragem_bxvi&lang=bra. Último acesso em 26/01/2009.
(3) CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS. Fratres in Unum: DECRETO DA CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS. Disponível em http://fratresinunum.wordpress.com/2009/01/24/2009/01/24/esta-consumado-decreto-da-congregacao-para-os-bispos.
(4) GRECO, Pe. Teodoro da Torre Del. Teologia Moral – Compendio de Moral Católica para o Clero em Geral e Leigos. São Paulo: Paulinas, 1959. Pg 795.

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DISCÍPULO DE FEDELI NOS ESCREVE DEFENDENDO A TESE MONTFORTIANA DA “CESSAÇÃO PENAL IMPLÍCITA”

Por Alessandro Lima

LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: DISCÍPULO DE FEDELI NOS ESCREVE DEFENDENDO A TESE MONTFORTIANA DA “CESSAÇÃO PENAL IMPLÍCITA”. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5592. Desde 1/30/2009.
 
 
 
 
 
Esta semana após a publicação de meu artigo intitulado “ORLANDO FEDELI DISTORCE MAIS UM FATO: A RETIRADA DAS EXCOMUNHÕES DOS BISPOS DA FSSPX”, recebi uma mensagem muito “caridosa” de um discípulo do Prof. Orlando Fedeli.

A carta protestava contra meu artigo com as seguintes palavras:

Seu desespero diante dos levantamentos das excomunhões é irracional.
Você tentou dizer que Dom Lefrebvre e Dom Mayer não são implicitamente inocentados diante desses levantamentos.

Primeiro há de se notar que tudo que é dito contra as “aulas inerrantes” do Prof. Fedeli é classificado como um ato de desespero. Ou seja, para eles, se alguém contradisser o Presidente da Montfort é porque está desesperado. Quanta devoção…

Nem D. Mayer e nem D. Lefebvre poderiam ser implicitamente inocentados, porque na Igreja não inventaram ainda a “remoção implícita de pena”. Não sou canonista, mas no entanto me fundamento em autoridades no assunto. Ensina Del Greco (1):

702 – VII. A cessação das penas. A pena pode cessar:
a) pela expiação; b) pela morte do réu; c) pela remissão.
1. A expiação é o modo ordinário pelo qual extinguem as penas infligidas pela autoridade competente.
[…]
2. A morte do réu anula todas as penas.
Não cessam porém, as que se referem aos bens patrimoniais, por exemplo: à multas pecuniárias, às coisas roubadas, quanto a restituição, etc. Ainda, no direito canônico perdura a pena da privação da sepultura eclesiástica (canon 1240 $1 [do CDC de 1917]), a exclusão dos excomungados das orações públicas [cân. 2261 $1 [do CDC de 1917]).
3. A remissão concedida pelo legítimo Superior é de duas espécies: a)absolvição, se se tratar de tirar a censura; b) dispensa, se se tratar de penas vindicativas [penas cujo efeito foi ab-rogado por lei].

Logo, a “cessação penal implícita” é uma invenção grosseira de quem quer ler o alfabeto inteiro onde se escreveu apenas uma letra. Segundo o direito canônico só existe remoção de pena pela expiação, pela morte do réu ou pela remissão.

No caso de D. Lefebvre e D. Mayer, já que estão mortos, a pena de excomunhão já não tem efeito sobre eles (“a morte do réu anula todas as penas”), pois o Papa é o Supremo Legislador da Igreja militante apenas, isto é, não tem o Papa poder de jurisdição no além-túmulo. O que a Igreja poderia fazer seria dizer que os dois bispos não incorreram no pecado de cisma pelos motivos A, B e C e que, portanto, o Decreto emitido contra eles pela Congregação do Bispos em 01 de junho de 1988 foi inválido, isto é, sem qualquer efeito DESDE A DATA DE SUA PUBLICAÇÃO.

Vale reproduzir aqui esclarecimentos que meus irmãos de apostolado Vitola e Maite deram em nossa lista interna:

Se a intenção da Igreja fosse retroagir até o decreto de 1988, a forma adequada de veicular essa decisão seria em forma de uma DECLARAÇÃO, de um ato declaratório. Nulidade se declara, reconhecendo-se a invalidade, a ausência de um ou mais elementos essenciais. Os efeitos de uma declaração de nulidade são ex tunc, ou seja, desde sempre, retroagindo à origem (p.ex. declaração de nulidade matrimonial), independentemente da aparência de validade.
No entanto, a forma da qual se revestiu a decisão do Papa foi um DECRETO. O decreto traz em seu bojo um ato desconstitutivo, ou seja, extingue uma situação jurídica, produzindo efeitos ex nunc, ou seja, não retroagindo, mas produzindo efeitos daquele momento em diante (na prática, cessando os efeitos do ato desconstituído).
Por decreto, pode-se ANULAR um ato, como quando se reconhece uma situação de ilicitude no ato, desconstituindo um ato válido, mas ilícito, ou seja, faz com que um ato válido deixe de existir, restituindo, se possível, o status quo ante – a partir de então, passa a coisa, que tinha sido válida, a não mais ser. Pode-se também REVOGAR um ato, que é desconstituir de ato válido e lícito por discricionariedade (juízo de oportunidade e conveniência) da autoridade – e foi exatamente isso que o Papa fez. Assim torna-se difícil dizer que irá acontecer algum dia uma declaração de nulidade das penas. Pois aí, não seria o reconhecimento de um erro, mas de dois: o Decreto de 01 de Junho de 1988 e o Decreto último de 21 de Janeiro de 2009.

A Igreja através do último DECRETO retira a partir de 21 de Janeiro de 2009 a pena de excomunhão sobre os quatro Bispos da FSSPX. Não foi uma DECLARAÇÃO de que a pena de excomunhão foi inválida, sendo assim anulada e consequentemente seus efeitos inválidos desde SEMPRE, como quer parecer Orlando Fedeli.

Ainda o devoto seguidor da doutrina montfortiana da “cessação penal implícita”:

Ora, como sua cabeça orelhuda é oca, Alessandro, pois pense: como Dois Bispos poderiam ser consagrados por outros dois considerados excomungados? Seria o mesmo que abençoar os frutos e amaldiçoar a semente!

Depois de defender a doutrina absurda do mestre, ficaríamos surpresos se não visse a seguir a caricatura e o ataque pessoal. Com efeito, é melhor ter uma “cabeça orelhuda e oca” do que ter uma cabeça moca e cheia de equívocos graves.

Não me surpreendo que Fedeli atraia tal tipo de gente. São como que “crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores” (cf. Ef 4,14). Pois, alguém que se dirige ao outro salientando seus defeitos físicos ou psíquicos, age com execração e não com caridade: “Ora, quando o arcanjo Miguel discutia com o demônio e lhe disputava o corpo de Moisés, não ousou fulminar contra ele uma sentença de execração, mas disse somente: Que o próprio Senhor te repreenda!” (Jd 1,9). São pessoas que embora insatisfeitas com o estado atual das coisas na Igreja, não aprenderam ainda viver “pela prática sincera da caridade […] naquele que é a cabeça, Cristo” (cf. Ef 4,15).

Mas, voltando às “caridosas” e “combativas” palavras do rapaz que me escreveu, elas mostram o pensamento sofístico com o qual se tenta sustentar a fantasia do mestre. Para esta alma enganada (e envenenada), a Santa Sé retirando as excomunhões dos quatro Bispos da Fraternidade, estaria lhes reconhecendo a validade do sacramento da ordem recebido, e por tabela, reconhecendo a legalidade do ato de D. Lefebvre e D. Mayer. Tudo isso ligado por um amálgama de confusão.

O Sacramento da Ordem nunca é perdido. Alguém que se torna diácono, padre ou bispo, o será PARA SEMPRE. Mesmo quando é excomungado da Igreja. Logo, mesmo que D. Lefebvre ou D. Mayer tivessem sagrado os Bispos sob a pena canônica da excomunhão, esta sagração embora ilícita continuaria sendo válida. Admitindo é claro que a ordenação se deu de forma correta, talvez fosse inválida no caso de simonia (Denzinger 354;358), isto é, ordenação por dinheiro. Logo, é uma bobagem achar que um Bispo excomungado não poderia sagrar outro de forma válida (embora ilícita).

Ainda que fosse verdade um Bispo excomungado não pudesse sagrar validamente, a ordenação episcopal dos quatro Bispos sagrados, ainda sim seria válida no caso das sagrações de 1988. A pena da excomunhão lateae setentiae na qual incorreram D. Lefebvre e D. Mayer (alguns a contestam, mas levamos em conta o que diz o Supremo Legislador, o Papa), além dos outros quatro Bispos sagrados por eles, é efeito de uma causa: a sagração episcopal sem o mandato do Papa:

O Bispo que, sem o mandato pontifício, confere a alguém a consagração episcopal e, igualmente, quem dele recebe a consagração incorrem em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica (cf. Cân. 1382 do Código de Direito Canônico de 1983).

Daí segue que, D. Lefebvre e D. Mayer só foram excomungados (efeito) após a sagração episcopal (causa) – subentende-se aqui uma sagração válida, não se fala em sagração duvidosa,  nem em tentativa de sagração ou desejo, mas no ipso facto. Ora, se a sagração foi válida, logo foi conferido validamente a Ordem Episcopal aos padres da Fraternidade, embora de forma ilícita (pois, sem mandato pontifício). Desta forma, o fato deles serem Bispos válidos em nada se relaciona com uma suposta invalidade das excomunhões de D. Lefebvre e D. Mayer. Logo, tem-se uma conclusão errada em pensar que as excomunhões foram inválidas porque as ordenações foram válidas, ou que a validade das ordenações dependeriam das excomunhões inválidas dos Bispos ordenantes. Em resumo, da causa (sagração episcopal válida e sem mandato pontifício) decorreriam pelo menos dois efeitos: quatro novos Bispos ordenados, a excomunhão deles e dos Bispos ordenantes. O efeito decorre da causa e não o contrário, logo a sagração válida (porém ilícita) foi causa da excomunhão dos envolvidos.

Diante do exposto, tornamos claro o erro no falso silogismo do discípulo de Fedeli (“como Dois Bispos poderiam ser consagrados por outros dois considerados excomungados. Seria o mesmo que abençoar os frutos e amaldiçoar a semente!”).

É muito triste constatar que almas sinceras (assim suponho) se deixem enganar por argumentos tão falsos, fantasiosos, desonestos e grosseiros. Fedeli atrai muita simpatia por ser um senhor de idade, entretanto, os desonestos também envelhecem.

Em falar nisso, sugerimos a leitura das notícias (2) onde o Papa Bento XVI desmente publicamente as distorções promovidas pela Montfort sobre seu ato de generozidade em relação aos Bispos da FSSPX. Ninguém melhor do que o próprio Papa para nos explicar o significado de seus atos e palavras.

Notas
(1) GRECO, Pe. Teodoro da Torre Del. Teologia Moral – Compendio de Moral Católica para o Clero em Geral e Leigos. São Paulo: Paulinas, 1959. Pg 795.

(2) Papa explica o levantamento das excomunhões. Veja em http://blog.veritatis.com.br/2009/01/papa-explica-levantamento-das.html .

Papa explica por que revogou excomunhão de bispos lefebvristas. Veja em http://blog.veritatis.com.br/2009/01/papa-explica-por-que-revogou-excomunhao.html.

8 responses to “Fedeli cismático”

  1. Alberto says :

    Eu acho que o Fedeli perdeu os papeis com o assunto lefebvre. Ele se achou no direito de falar mal da Igreja agora. E de fato vai virar uma seita.

  2. Maria de Fatima Prado says :

    Fedeli é meu Deus. Ele salva!!

  3. presentepravoce says :

    Cara Maria de Fátima, encontrei este comentário seu neste site acima, e estou lendo algo que não consigo acreditar !

    O que significa esta decração que copiei abaixo ?

    Agosto 26, 2009 às 3:11 am | #2

    Fedeli é meu Deus. Ele salva!!

    Porque se Fedeli for seu deus,…. mesmo…. mesmo….
    Nada mais podemos fazr por você ….
    Isto já é Idolatria, e se alguém ensina a ser idolatrado é porque só pode ser um louco ou é mesmo o anticristo…

    se não for esta a verdade, espero que retifique a sua declaração o mais breve possível.

    Que Deus te abençoe

  4. Maria de Fatima Prado says :

    presentepravoce. LIXO DE BLOG VOCE FEZ??

    Atenção pessoal: olhar este site é pecado mortal!!! PURO LIXO. Anatema!!

  5. Maria de Fatima Prado says :

    Já respondi no seu outro blogue….

  6. Maria de Fatima Prado says :

    Alias, você não tem vergonha na cara. Você fica falando mal do Orlando e ainda defende o seu bispo???

  7. presentepravoce says :

    Salve Maria

    Assim como você defende Fedeli e o Declara “deus”, eu jamais defendi o meu Bispo da mesma forma, muito menos o adoro como um “Deus”, respondi apenas a uma pergunta sua e acho que devo obediência ao meu Pastor, neste caso é o meu Bispo e não a Fedeli que nem mora em minha cidade.

    Além do mais este presado Sr. Fedeli nunca responsdeu nenhuma de minhas cartas, nem aquelas que enviei diretamente ao seu e_mail particular, nem mesmo aquele que enviei para sua esposa Ivone, mas creio que pelo menos esse ele deve ter lido.

    Cara Maria, já lhe disse que este Blog não é meu e nem sei a quem pertence, portanto este comentário não poderá ser apagado, pelo menos por enquanto, porque de vez en quando o André apaga tudo, como fez esta semana passada.

    Por isso eu lhe disse que seria bom retificar a sua declaração idolatra antes que pegue mal para o Fedeli.

    Ninguém Fala mal de Orlando Fedeli neste Blog, tudo que eu leio aqui, está escrito no site Montfort, até a carta de meu Bispo está lá também e não é nenhuma novidade para o Fedeli porque tudo que está aqui foi divulgado por ele mesmo.

    Paz e Bem.

  8. Pedro says :

    O perfeito julgamento cabe a Deus.

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